Sociologia em Acção.

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012 |

Este blogue deixou de ser actualizado. Contudo poderá encontrar alguns aspectos aqui abordados, objecto até de maior desenvolvimento no blogue Sociologia em Acção.

Preconceito

Quinta-feira, 30 de Junho de 2011 |

As percepções sociais incluem, a par de outros factores, os preconceitos. É pelo processo de socialização que a interiorização daquilo que as nossas sociedades nos dão a conhecer acontece, tornando-nos progressivamente habilitados a viver em grupo (Rocher, 1999; Giddens, 2000). A chave da socialização é, portanto, a aprendizagem que ocorre por ligação do indivíduo aos elementos sociais do ambiente que o rodeiam nos seus relacionamentos Para além da nossa fisionomia sensorial, a forma como determinada sociedade se dá a conhecer, inclui o modo como estruturamos as nossas percepções sociais (Davidoff, 1983). Porém, a forma precipitada como categorizamos alguns dos objectos apreendidos socialmente poderá dar origem ao preconceito (Allport, 1979).
Tudo isto se reflecte na forma como vemos os “outros”.



O preconceito “nasce” na cabeça dos homens, sendo, nesse sentido, produto da cultura, que se soma aos desejos inconscientes do indivíduo. Além disso, o preconceito contém em seu âmago o medo: medo do Outro, do desconhecido, do que “me é diferente”, a traduzir um Não à alteridade.

E ao negar a alteridade, o preconceito se firma como uma atitude de negação aos que se refugiam num padrão prévia e rigidamente autofixado de normalidade, ao mesmo tempo em que reforça, positivamente, certos atributos “inerentes aos mais iguais”, a ponto de manipular no Outro a própria condição de estigmatizado.


1.  Apresente o conceito de preconceito e refira genericamente alguns impactos impactos negativos que estes têm no nosso quotidiano.

2. Seleccione dois dos subtemas, e apresente-os desenvolvidamente:

Preconceito contra Deficientes Físicos
Preconceito contra Gordos
Preconceito contra Idosos
Preconceito de Género
Preconceito Físico
Preconceito Racial
Preconceito Religioso
Preconceito Sexual
Preconceito Social

Código Deontológico dos Médicos

Quinta-feira, 16 de Junho de 2011 |

Médicos, advogados, economistas, professores – e muitas outras profissões – encontram-se regidas por conjuntos de normas ou de princípios de conduta, baseados em códigos de lealdade institucional e comunitária. Este conjunto de direitos e deveres traduz-se reciprocamente em direitos e deveres dos cidadãos, que são os seus clientes!

A título de exemplo, leia o Código Deontológico dos Médicos Backup e estruture um texto que evidencie a importância de estes se vincularem a princípios éticos universais no exercício da sua profissão, destacando os direitos que adquire por esta via.


Sugestão de estrutura para o comentário

Motivação para o trabalho em contexto de políticas de austeridade

Quinta-feira, 2 de Junho de 2011 |

Vivemos os últimos dias da campanha eleitoral para as Legislativas de 2011. Parece claro que não se discutiu o futuro dos portugueses, mas foram despejados soundbytes sobre alguns casos para entreter os eleitores e animar a campanha.

O debate sobre diferentes propostas também não poderia fazer-se, uma vez que todos os partidos do arco governativo (PS, PSD e CDS) estão comprometidos com as propostas da Troika, cujo Memorando subscreveram.


A pretexto da austeridade está a verificar-se a maior redistribuição de rendimentos da História, exigindo-se agora que os salários dos trabalhadores acompanhem a produtividade, esquecendo a inflação. Porém ao nível dos administradores e gestores de empresas os critérios são muito diferentes. Segundo dados da CMVM:


  • Entre os 426 administradores, pouco menos de um em cada quatro desempenhava funções de administração em apenas uma empresa. Constatou-se, porém, que cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de 1000 lugares de administração, entre eles os das sociedades cotadas. A acumulação de funções patente nestes números poderá ser um motivo de reflexão para os accionistas destas empresas.

    (...)

    Quanto às remunerações dos membros do órgão de administração apurou-se que a remuneração média por administrador, incluindo componentes de remuneração variável com impacto plurianual, foi de EUR 297 mil (EUR 513 mil para os administradores executivos). (Introdução)

    Fonte: RELATÓRIO ANUAL SOBRE O GOVERNO DAS SOCIEDADES COTADAS EM PORTUGAL - 2009 - CMVM

Uma vez que a política se afastou das pessoas, multiplicam-se iniciativas autónomas de cidadãos que não têm qualquer cobertura nos meios de comunicação social, colocando em questão o actual modelo de democracia representativa:

http://acampadalisboa.wordpress.com/

http://acampadacoimbra.blogspot.com/


Observe criticamente os documentos apresentados nesta mensagem, designadamente o Memorando, o Manifesto e os vídeos e problematize a motivação do trabalho num quadro dominado pela globalização.

Era uma vez um arrastão…

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011 |

Uma representação comum do negro está presente numa expressão muito popularizada: “Preto parado é suspeito e correndo é ladrão”. Observe como as representações têm poder para criar acontecimentos jornalísticos.
Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4



1. Refira a responsabilidade dos meios de comunicação social.

2. Refira a responsabilidade das autoridades policiais.

3. Refira a responsabilidade dos políticos.

4. Contextualize a manifestação da extrema-direita.

5. Comente a “impossibilidade” do oficial da polícia transmitir a versão verdadeira dos factos, que conheceu antes dos telejornais de 10 de Junho (4º vídeo).

6. Verifique o interesse do que aprendeu sobre "representações sociais" para responder às diferentes questões colocadas nesta ficha.

Representações dos ciganos

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011 |

"Os portugueses não são racistas, se... os ciganos forem postos bem ao largo" (Fernandes, 2006).
Leia o texto (backup).

1. Apresente elementos que constituem a representação (imagem) social do cigano no imaginário colectivo.

2. Quando conhecemos um amigo cigano, que não tem comportamentos correspondentes aos da representação - por exemplo, não rouba - consideramos que o nosso amigo já não é "um verdadeiro cigano".
Comente a torção da realidade que as representações efectivamente provocam.

3. Tendo em consideração o texto, concluiria que:
a) a população portuguesa é racista?
b) a população de Oleiros é racista?

4. Outros aspectos que considere interessantes.


Intolerância

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Uma longa história de resistência contra uma sociedade dominante que não tem aceite a sua sub-cultura, tem sido oferecida pelo povo cigano:

  • As autoridades queriam torná-los iguais ao resto da população, impedindo-os de ter as suas particularidades no vestir e nos hábitos de vida. Ainda assim, muitas vezes os ciganos se conseguiram esgueirar ao seu controlo. Data de 1526 o primeiro documento legislativo contra os ciganos – o alvará de 13 de Março exarado pelas Cortes de Torres Novas – determinando a proibição da sua entrada no reino e a expulsão dos que por cá andavam.

    Como estas tentativas de erradicar a sua presença não surtiram efeito, recorria-se a castigos que iam de açoites com baraço e pregão, separação das famílias, até ao degredo para as províncias ultramarinas, incluindo o Brasil. Houve sucessivas renovações de legislação que por vezes afrouxavam desde que os ciganos vivessem em bairros próprios e vestidos à moda portuguesa.

    Filipe I de Portugal decretou uma vez mais a sua expulsão no prazo de 4 meses, findos os quais seria aplicada a pena de morte, seguindo-se as Ordenações Filipinas publicadas em 1602, com a condenação às galés e vários alvarás que reforçaram a perseguição pelas queixas de roubos e outros delitos praticados pelos ciganos.

    D. João IV decretou a deportação dos calé para Cabo Verde, Angola e outros territórios ultramarinos em 1647, seguindo-se outros alvarás de D. Pedro II e D. João V, que continham algumas diferenças: deportarem-se os ciganos “de fora” – o que indica que as movimentações continuavam – e de se tolerarem os que já eram naturais, “netos de portugueses”, desde que tivessem residência fixa e trabalhassem honestamente.

    Mesmo assim, os ciganos não se adaptaram a esta situação, tendo havido, no reinado de D. João V, sucessivos decretos que agravavam as penas e as deportações para as províncias ultramarinas, incluindo a Índia. E por muito tempo este regime foi mantido.

    Já no séc. XIX, uma portaria de 1848 decretava que fosse exigido passaporte aos ciganos que deambulavam pelo território. Pouco mais de cem anos depois, em 1954, houve um parecer da Procuradoria Geral da República no sentido de ser criado um documento de identificação específico, por se considerar que constituíam perigo para a ordem e tranquilidade pública.
    Fonte: Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural

A música e a dança serão factores que contribuem para a identidade do grupo, mas observando estes rapazes certamente se dirá que não são "ciganos puros":



Certamente não conseguiremos explicar a sua resistência sem ter em consideração a sua coesa organização social:

  • A união matrimonial entre duas pessoas, que normalmente se faz segundo a lei cigana, é o primeiro passo para a formação da família cigana, unidade base da sua organização social, unidade económica e educativa do grupo, bem como garante da coesão das estruturas. Assim, a sua organização social depende bastante dos laços criados pelas trocas matrimoniais entre alguns grupos, sujeitos a certas regras e leis comuns.

    Está estruturada em torno de um quadro de valores simbólicos e morais, num conjunto de regras e interdições muito ligadas ao conceito de limpeza e pureza (a virgindade das mulheres antes do casamento), aos comportamentos que envolvem o relacionamento de homens e mulheres, ao respeito pelos mais velhos, ao amor e dedicação às crianças, ao luto que os une na dor, à veneração pelos seus mortos.

    A solução para conflitos ou faltas graves tem que ser encontrada em conjunto pelo grupo dos mais velhos, adoptada em consenso e baseada nos valores da moral e do respeito pela honra e pela pureza. O castigo imposto pela comunidade é aplicado ao infractor e alargado a toda a família. Há também muitas vezes o recurso à opinião e conselho do Tio, homem de respeito,de certa idade, com família numerosa, inteligente e sábio, que está bem na vida e sabe falar, e que é reconhecido pela comunidade.
    Fonte: Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural

Hoje, no século XXI, os ciganos continuam a ser vitimas de discriminação:

  • A venda ambulante, a sua principal actividade, mantém-se na medida em que haja espaços povoados que lha permitam, mas cada vez será mais difícil ganhar a vida deste modo. Com uma escolaridade baixa, na grande maioria dos casos, não é fácil ascenderem a outros empregos. Se os rapazes ainda fazem o 1º ciclo de ensino básico ou vão quando muito até ao 9º ano, as raparigas, por uma questão de regras internas, abandonam precocemente a escola. Deste facto resulta uma escassez de competências que não lhes permite ter outros meios de vida.
    Fonte: Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural

Que aprendemos a ser intolerantes pela educação que recebemos do meio familiar é o que sugerem as experiências realizadas com crianças:





A TVI fez uma reportagem onde denuncia a intolerância em Portugal:




Comente tendo em consideração o papel:
- do meio familiar;
- atribuído à Escola pela sociedade;
- dos meios de comunicação social;
- da crise económica.