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A democracia é a pior forma de governo, com excepção de todas as demais -Winston Churchill

sexta-feira, 25 de outubro de 2019 |

Numa democracia, (1) as pessoas são ouvidas e responsabilizadas, (2) as instituições garantem a estabilidade política e a ausência de violência, (3) os governos são eficazes na prestação de serviços (escolaridade básica, cuidados de saúde, distribuição de água potável e saneamento, rede eléctrica, infra-estrutura de transportes, recolha de lixo e resíduos), (4) a qualidade dos bens e serviços encontra-se regulamentada, (5) as leis são cumpridas por todos, (6) existe controle sobre a corrupção.

Considerando os Worldwide Governance Indicators, discuta em que medida os regimes democráticos serão um luxo apenas acessível aos países ricos.

Que democracia é esta?

quinta-feira, 31 de março de 2011 |

Medina Carreira, ex-ministro das finanças de Mário Soares, tem-se destacado destacado na denúncia do sistema político que segundo ele não corresponde às necessidades do país. Poderá assistir a numerosos vídeos seus seus no YouTube, começando talvez pelo Grande Porca.

A 12 de Fevereiro de 2011 foi apresentado mais um programa da série "Plano Inclinado" na SIC-Notícias. Medina Carreira levou a sua ousadia demasiado longe ao mostrar um gráfico que documenta a evolução da dívida pública portuguesa, permitindo um raciocínio perigoso: Durante a 1ª República, antes do Estado Novo (ditadura) a divida pública atingiu níveis incomportáveis; a Ditadura colocou as finanças públicas na ordem; após o 25 de Abril os partidos fizeram a dívida pública disparar de novo para uma situação semelhante à vivida na 1ª República. Eis o gráfico com a definição possível:


Note-se que Medina Carreira é democrata, mas encontra-se profundamente desiludido com esta democracia, naturalmente. Bastou-lhe apresentar estes números para quer a rubrica televisiva terminasse. Também no "Sol", "Medina Carreira foi colocado, gentilmente, de quarentena", sendo substituído por Alberto João Jardim, segundo Marcelo Rebelo de Sousa.

Assista ao último programa da séria "Plano Inclinado":



Segundo o Correio da Manhã, este espaço fazia falta, porque ali se contestava – algo cansativamente, é certo – a verdade oficial, não com a divagação espúria da guerrilha partidária, e sim com a prova de números e factos que cedo anunciaram, à incredulidade instalada nas nossas cabeças, que o céu nos iria cair, como está a cair, em cima da cabeça.

A rubrica terminou porque Mário Crespo e Medina Carreira se desentenderam antes da gravação, segundo o CM.

1. Reflicta sobre a dificuldade de apresentar perspectivas diferentes da sociedade portuguesa fora das nomenclaturas partidárias.

2. Teça alguns comentários sobre os aspectos abordados no "Plano Inclinado".

3. Refira as potencialidades dos meios electrónicos.

Democracia e Liberdade

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 |

Façamos, então, uma muito breve retrospectiva histórica sobre o assunto. É comum escrever-se em manuais e obras de divulgação, que as primeiras experiências de democracia emergem na Antiguidade. Os gregos inventaram a democracia, diz-se. E na Grécia Antiga são os próprios cidadãos que tomam as decisões que dizem respeito à governação da sua cidade (polis). No entanto, esta forma de democracia ainda é muito incipiente, porquanto, nem as mulheres nem os escravos são considerados cidadãos. E a eleição, que é para nós a base do sistema democrático, ocupa apenas lugar secundário no processo de escolha. Os gregos preferiam a eleição dos magistrados por sorteio.

Embora na Europa Medieval não existisse um Estado democrático, em algumas cidades da Flandres e Itália funcionaram experiências próximas da democracia. Ao nível das nações já existiam assembleias representativas eleitas pelo povo, como o Parlamento em Inglaterra, as Cortes em Espanha e os Estados Gerais em França. No entanto, apenas no caso inglês a assembleia gozava de poderes reais, devido à imposição ao rei da Magna Carta, em 1215.

Mais tarde, no século XVII, enquanto a monarquia absolutista triunfava na maior parte dos Estados europeus, é ainda a Inglaterra que implanta o primeiro regime democrático, garantindo, ao mesmo tempo, os direitos e as liberdades fundamentais. John Locke dá a conhecer, em 1690, o primeiro corpus moderno e coerente da democracia, fundado em princípios básicos, como: a liberdade é um direito fundamental do Homem; um governo só é legítimo se o seu poder estiver assente na vontade popular; o poder de fazer as leis (poder legislativo) e o poder de as aplicar (poder executivo) devem estar separados.

Jean Jacques Rousseau vem dizer, no seu Contrato Social (1792), que cada indivíduo detém uma parte do poder e utiliza-o de acordo com a vontade geral. Tal vontade, segundo ele, manifesta-se por sufrágio universal e de acordo com a regra da maioria.

Na América Norte, a revolta dos colonos ingleses, com a Declaration of Rights (1776), está na base da Constituição democrática dos Estados Unidos. Enquanto que a Revolução Francesa (1789) marca o início do fim das monarquias absolutistas, que se baseavam no direito divino, e possibilita a emergência da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Estes dois eventos político-culturais iniciam o processo do triunfo da democracia, que se desenvolve ao longo do século XIX. A luta pelo sufrágio universal, que se generaliza na primeira metade do século XIX, e pela abolição da escravatura, conseguida, oficialmente em 1868, marcam também o ideal democrático do século XIX.

No entanto, no século XX, os valores democráticos da liberdade irão ser rejeitados por dois regimes antagónicos: as ditaduras fascistas e nazis (na Itália e Alemanha); os regimes comunistas (principalmente, na União Soviética). Os primeiros são afastados com o fim da Segunda Guerra Mundial; o regime soviético cai com a revolução democrática de 1989 e com o fim da URSS em 1991.

Nos nossos dias, a democracia pluralista e liberal é aceite na generalidade dos países, reivindicando para si o exclusivo do modelo democrático.

Se os meus apontamentos ainda têm actualidade, quem tem razão? Que queremos dizer quando falamos de democracia? Falamos da democracia que queremos impor aos outros ou da democracia que emana de todos e a todos obriga por igual, a democracia participada? (António Pinela, Reflexões, Novembro de 2002).

Fonte: http://www.eurosophia.com/filosofia/acesso_livre/filosofia_politica/democracia_e_liberdade.htm


1. Situe, no espaço e no tempo, as primeiras experiências históricas de democracia.

2. Refira algumas diferenças significativas relativamente ao modelo actual.

3. Na Europa medieval poder-se-á encontrar experiências democráticas? Justifique.

4. Refira os contributos de J. Locke e J. J. Rousseau para a democracia.

5. No séc. XVIII duas revoluções iniciam o triunfo do processo democrático. Quais são e que importantíssimo documento é aprovado numa delas?

6. Que significativas conquistas ocorrem no séc. XIX rumo ao ideal democrático?

7. No séc. XX o processo democrático sofre um duro revés. Explique.

8. Qual o modelo de democracia dominante nos nossos dias?