Utilizando estes dados, descreva a situação portuguesa no contexto europeu.
Há mais vida para além dos números frios do PIB e das estatísticas económicas. O Índice Better Life permite comparar o bem-estar entre os países, com base em 11 dimensões (TOPICS) que a OCDE identificou como essenciais, nas áreas de condições materiais de vida e qualidade de vida: Habitação, Rendimento, Emprego, Comunidade, Educação, Ambiente, Participação Cívica, Saúde, Satisfação com a Vida, Segurança e Equilíbrio Trabalho-Vida. Além da generalidade dos países europeus também inclui Austrália, Brasil, Chile, Israel, Japão, Coreia, Nova Zelândia, Federação Russa, Turquia e Estados Unidos.
Cada uma destas dimensões é medida numa escala de 0 a 10. Por exemplo, a dimensão rendimento coloca no topo do ranking deste os Estados Unidos, a Suíça e o Luxemburgo, acima de 6,7; na cauda ficam Brasil, África do Sul e México, abaixo de 0,5. Na dimensão educação a Finlândia e a Austrália encontram-se acima de 8,5; México, África do Sul e Brasil, estão abaixo de 1,4. Com o seu emprego estão mais satisfeitos islandeses, suíços e noruegueses. Portugal tem a sua melhor marca na segurança, 8,3; e a pior na satisfação pessoal, 1,4.
O site permite observar os rankings por países, comparando-os uns com outros de acordo com a classificação que obtiveram em cada tema e a ponderação atribuída pela OCDE (em COUNTRIES ou TOPICS). Certamente mais interessante é a ferramenta que permite construir o seu índice Better Life, atribuindo diferentes ponderações a cada tópico (INDEX). Nestes gráficos, cada flor representa um país; cada pétala representa uma das onze dimensões (tópicos). O comprimento de cada pétala representa a pontuação do respectivo país, enquanto a largura representa a importância que lhe foi atribuída.
Your Better Life Index Tutorial
Breve justificação de cada dimensão
Habitação
Viver em condições de habitação satisfatórias é um dos aspectos mais importantes da vida das pessoas. A habitação é essencial para atender às necessidades básicas, como abrigo, mas não é apenas uma questão de quatro paredes e um teto. Habitação deve oferecer um lugar para dormir e descansar, onde as pessoas se sintam seguras e tenham privacidade e espaço pessoal, um espaço onde possam criar uma família. Todos estes elementos ajudam a fazer da habitação um lar. E, claro, há a questão de saber se as pessoas podem pagar pela habitação adequada.
Rendimento
Embora o dinheiro não possa comprar a felicidade, ajuda muito. É um meio importante para atingir padrões mais elevados de vida e, portanto, maior bem-estar. Maior riqueza económica pode também melhorar o acesso à educação de qualidade, saúde e habitação.
Emprego
O trabalho tem benefícios económicos óbvios, mas ter um emprego também ajuda os indivíduos a permanecerem conectados à sociedade, construírem a auto-estima e desenvolverem habilidades e competências. Sociedades com altos níveis de emprego também são mais ricas, mais estáveis politicamente e mais saudáveis.
Comunidade
Os seres humanos são criaturas sociais. A frequência do nosso contacto com outras pessoas e da qualidade das nossas relações pessoais são determinantes cruciais do nosso bem-estar. Os estudos mostram que o tempo gasto com amigos está associado a um nível médio mais elevado de sentimentos positivos, e um nível médio inferior de sentimentos negativos do que o tempo gasto noutras alternativas.
Educação
A educação desempenha um papel fundamental concedendo aos indivíduos os conhecimentos, as habilidades e competências necessárias para participar efectivamente na sociedade e na economia. Além disso, a educação pode melhorar a vida das pessoas em áreas como a saúde, a participação cívica, o interesse político e a felicidade. Os estudos mostram que pessoas educadas vivem mais, participam mais activamente na política e na comunidade onde vivem, cometem menos crimes e dependem menos da assistência social.
Ambiente
A qualidade do nosso meio ambiente local tem um impacto directo na nossa saúde e bem-estar. Um ambiente preservado é uma fonte de satisfação, melhora o bem-estar mental, permite que as pessoas recuperem do stress da vida quotidiana e para realizem actividade física. Ter acesso a espaços verdes, por exemplo, é uma parte essencial da qualidade de vida. Além disso, as nossas economias não dependem apenas de trabalhadores saudáveis e produtivos, mas também dos recursos naturais, como água, madeira, pesca, plantas e culturas.
Participação Cívica
Hoje, mais do que nunca, os cidadãos exigem maior transparência dos seus governos. Informações sobre a quem, porquê e como as decisões são tomadas são essenciais para responsabilizar os governos, manter a confiança nas instituições públicas e apoiar condições justas para os negócios. Maior transparência não é apenas fundamental para a defesa da integridade no sector público, mas também contribui para uma melhor governação. Na verdade, a abertura e a transparência podem melhorar os serviços públicos, minimizando o risco de fraude, corrupção e má gestão dos fundos públicos.
Saúde
Boa saúde traz muitos benefícios, incluindo maior acesso à educação e ao mercado de trabalho, o aumento da produtividade e da riqueza, redução dos custos de cuidados de saúde, boas relações sociais e, claro, uma vida mais longa.
Satisfação com a Vida
A medição de sentimentos pode ser muito subjectiva, mas não deixa de ser um complemento útil para dados mais objectivos quando se compara a qualidade de vida entre os países. Os dados podem fornecer uma avaliação pessoal de saúde dos indivíduos, educação, rendimento, realização pessoal e das condições sociais.
Segurança
A segurança pessoal é um elemento essencial ao bem-estar dos indivíduos, e em grande parte reflecte os riscos de as pessoas serem fisicamente agredidas ou vítimas de outros tipos de crime. O crime pode levar a perda de vidas e bens, bem como à dor física, stresse pós-traumático e ansiedade. O maior impacto do crime sobre o bem-estar da população parece ser através do sentimento de vulnerabilidade que provoca.
Equilíbrio Trabalho-Vida
Encontrar um equilíbrio adequado entre o trabalho e a vida diária é um desafio que todos os trabalhadores enfrentam. Em particular, as famílias são as mais afectadas. Alguns casais gostariam de ter (mais) filhos, mas não vêem como se poderiam dar ao luxo de trabalhar menos. Outros pais estão felizes com o número de crianças na família, mas gostariam de trabalhar mais. Este é um desafio para os governos, porque se os pais não podem alcançar o equilíbrio trabalho/vida desejada, não é só o seu bem-estar que se reduz, mas assim o desenvolvimento do país. Se os pais têm de escolher entre ganhar dinheiro e cuidar dos seus filhos, o resultado é que haverá muito poucos bebés e muito pouco emprego.
Atribuindo ponderações elevadas às dimensões onde Portugal se encontra melhor posicionado, obtemos representações de Portugal no topo dos gráficos.
Atribuindo ponderações elevadas às dimensões onde Portugal se encontra pior posicionado, obtemos representações de Portugal na cauda dos rankings.
Tarefa
Constrói uma tabela para uma comparação rápida de Portugal com outros 6 países contrastantes (três mais e três menos desenvolvidos).
Apresenta duas imagens. Uma em que Portugal fique relativamente melhor colocado, outra em que fique pior.
Comenta as imagens e a tabela, analisando a posição de Portugal relativamente aos outros países nas diversas dimensões.
Download
Indicadores Estatísticos
quarta-feira, 22 de junho de 2016 Publicada por admin | Etiquetas: CP_2, estatísticasCada indicador retracta um aspecto parcial do real. Não havendo indicadores perfeitos, o mais conhecido para hierarquizar o desenvolvimento dos países é o IDH, sendo particularmente interessante observar a sua correlação com outras estatísticas. Porém, outros indicadores como o http://www.oecdbetterlifeindex.org/ também têm o seu interesse.
Constrói uma apresentação no Google Drive comparando Portugal com 4 outros países, seleccionando 2 entre os mais desenvolvidos e outros 2 entre os menos desenvolvidos.
Outros sites com indicadores estatísticos
Portugal mudou mais tarde, mas mais rapidamente
quarta-feira, 11 de novembro de 2015 Publicada por admin | Etiquetas: estatísticasNenhum outro país conseguiu liquidar o campesinato, reduzir a taxa de fecundidade, mudar os padrões de consumo, diminuir a mortalidade infantil, instaurar o sufrágio universal, separar a Igreja do Estado, criar uma classe média, abrir as fronteiras a pessoas, bens e capitais, escolarizar a população, criar um serviço nacional de saúde, liquidar um Império à velocidade a que Portugal o fez. Na economia como nas almas o país está irreconhecível. As estatísticas demonstram a mudança da sociedade portuguesa.
PORTUGAL/EUROPA, 1960-2015
Retrato de Portugal na Europa, Edição de 2014 ***** PDF
Exercício da cidadania inclui a discussão da construção estatística
quarta-feira, 6 de abril de 2011 Publicada por admin | Etiquetas: CP_4, estatísticas, RA1Tomar decisões responsavelmente exige o conhecimento da realidade com rigor, porém frequentemente o conhecimento dos factos fica logo limitado nas primeiras operações de classificação. Sob este aspecto os Censos 2011 - a operação mais pesada do sistema estatístico nacional, que se repete de 10 em 10 nos - geraram um número suficiente de questões polémicas, que são úteis para discutir os limites impostos pela sociedade à Estatística, e por essa via ao desenvolvimento do conhecimento.
Nunca como em 2011 os Censos levantaram polémica sobre tantas questões, apesar de estas não apresentarem diferenças significativas face aos censos anteriores. Porque será?
Uma questão muito discutida foi o alegado branqueamento da precariedade do mercado de trabalho. Na opinião dos movimentos representativos dos "recibos verdes" será um abuso considerá-los "trabalhadores por conta de outrem", como preconizam as instruções de preenchimento dos Censos 2011 relativamente aos "trabalhadores independentes".
Do protesto destes movimentos resultou o envio pelo Provedor de Justiça de uma carta ao presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), visando obter esclarecimentos sobre o motivo que levou aquele organismo a diluir a situação dos trabalhadores precários no conjunto mais vasto de trabalhadores por contra de outrem.
O INE será obrigado a apagar da sua base de dados os valores correspondentes a duas perguntas referentes ao Questionário da Família, por imposição da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD):
- se determinada pessoa tem uma relação em união de facto com um parceiro do mesmo sexo ou de sexo diferente, e se reside com esse mesmo parceiro;
- o nome e o sexo das pessoas que, não sendo residentes no seu alojamento, lá estavam presentes no dia 21 de Março.
Fonte: SOL.
A CNPD considerou que estas questões versavam informação "sensível", da esfera da "vida privada" dos cidadãos.
Outra situação que está ser alvo de crítica deriva da sobrecontagem da população empregada. Como o INE considera que se trata de um emprego "sempre que houver um trabalho e um pagamento correspondente a mais de uma hora na semana de referência", os reclusos estão a ser contabilizados como população empregada apenas porque parte da população prisional exerce actividades na limpeza de instalações, lavandaria, cozinhas ou jardins e cada recluso recebe cerca de dois euros por dia. (www.ionline.pt)
Evidentemente que este não será um "trabalho efectivo, digno de se considerar emprego, aquele que é efectuado pelos reclusos nos estabelecimentos prisionais em regime de ocupação".
1. Identifique razões para a construção das estatísticas ser hoje mais debatida do que era.
2. Verifique que a discussão das questões tanto pode ser levantada por organismos da sociedade civil ou por instituições públicas.
3. Verifique que das categorias construídas para recolha dos dados depende em larga medida o "retrato final" que as estatísticas irão oferecer.
4. Comente o comportamento da CNPD. Não terá tido oportunidade de ler o questionário antes da sua aplicação?
5. Questão 26 - Se já trabalhou nem que fosse apenas 1 hora e recebeu um pagamento em dinheiro ou de outro tipo assinale "Sim".
Comente a utilização desta questão para distinguir a população empregada da desempregada.
Análise crítica de estatísticas
quinta-feira, 24 de março de 2011 Publicada por admin | Etiquetas: CP_1, estatísticas, RA1O exercício da cidadania pressupõe a leitura e interpretação de dados estatísticos para conhecer o real.
1. Comente cinco dos gráficos disponíveis em https://picasaweb.google.com/netodays/PortugalNaUniaoEuropeia
2. Sugira legendas para os quatro gráficos adicionados mais recentemente.
3. Estes tipo gráficos podem construir-se gratuitamente desde que se tenha uma ligação à Internet, partindo de:
- Country profiles; e
- Pordata.
Comente a literacia e o interesse dos cidadãos portugueses.




